quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

HELIO CRISANTO



Hélio Crisanto

FEIRA DOS BICHOS



    
                 1
Vi macaco vender banana

Cururu pedir canoa

Jabuti vendendo broa

Lá na porta do mercado

Vi um grilo malcriado

Pilheriando um timbu

Raposa vendendo angu

No dinheiro e no fiado

                                    
                                      2         


Eu vi um bode rezando

Na porta da sacristia

Vi um gato com a bacia

Pedindo esmola deitado

Se fazendo de aleijado

Ganhando muito dinheiro

Vi um cachorro com um pandeiro

Cantando coco embolado


                                            3

Eu vi um galo comprando

Sem ter no bolso um cruzado

Vi um peru assustado

Caçoando uma gazela

Carregando uma panela

Eu vi um pinto pelado

Negociando o picado

Rapadura e mortadela

                                         4

Tinha um preá pirangueiro

Zangado e puxando faca

Biritando com a tacaca

Lá na rua do ferreiro

Tinha um porco fogueteiro

Brincando com dona paca

Sagüi azarando a vaca

Com fama de xavequeiro



                                            5

Indo pra feira dos bichos

Encontrei um tatu bola

Carregando uma sacola

Cheia de mercadoria

Reclamando a carestia

De uma camisa de gola

Jacaré indo pra escola

Abraçado com a cotia



poesia



Edgar Santos


ELEGIA AO MAR


É lá, bem pra lá, o começo desse infinito mar,
É ali, bem pertinho daqui… No gorjear do maracá,
No crepúsculo das espumas ou no sopro da IEMANJÁ.

Oh! Meu velho e imenso mar, embarcarei nesta IGARA,
Buscarei a minha égide nos braços da minha IARA…
São flores, são espinhos… Riachos pélagos e mesquinhos.

É ali, bem pertinho daqui… O começo desse infinito mar…
Oh! Meu grande mar, tua fúria resplandece sobre múltiplas facetas,
Naufragaste destinos, cobriste caravelas e meninos…

Meninos que sonhavam com o horizonte,
          Talvez piratas, jovens aspirantes,
          Marinheiros ou simples navegantes.

          É ali, bem pertinho daqui…
É lá, bem pra lá...
O começo desse infinito mar.


TOUROS-RN, Agosto/98

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Poema: Hino a Santa Cruz



Maria de Fátima Farias Cavalcante

HINO A SANTA CRUZ




Ó Santa Cruz bendita

És bela hospitaleira

      Pelos teus filhos fiéis alvissareiros

Que progridais sempre triunfal

Luta constante do bem sobre o mal



REFRÃO: Somos teu povo marcado pela fé / Santa Cruz do Inharé



Teus bairros são como adornos fulgurantes

Embelezando os espaços corriqueiros

Sem ser o éden temos até Paraíso

Os visitantes recebemos com um sorriso



O Trairi banhando os filhos desta terra

Com a intercessão da Padroeira Santa Rita

Tudo é um canto da natureza em festa

Aos que partiram uma homenagem presta!






Betânia minha amiga poetisa



Maria Betânia Borges

PRECISO APRENDER A SER SÓ

                     I
Preciso aprender a ser só...
Para  não ficar tão inquieta,
Para não sentir tanta ansiedade
Para não achar tudo banal.
                    II
Preciso aprender a ser só...
Pois é insuportável o vazio,
Pois é infernal a carência...
Pois é muito triste a vida.
                    III
Preciso aprender a ser só...
Mesmo com tanto amor pra dá,
Mesmo com tanto carinho em mim...
Mesmo com tanta ternura no ser.
                     IV
Preciso aprender a ser só...
Para não pensar tanto em você,
Para não chorar de saudade...
Para não sofrer tanto assim.
                     V
Preciso aprender a ser só...
Pois vivendo assim os dias são fúteis,
Pois ficando assim eu não vivo...
Pois sendo assim nem existo.
                   VI
Preciso aprender a ser só...
Mesmo te querendo tanto,
Mesmo te amando muito...
Mesmo te esperando sempre.